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Norte do Paraná, uma região de terra roxa e muito fértil, era até poucas décadas uma extensa floresta. A
colonização espontânea foi marcada pelo arrojo de homens saídos de Minas
Gerais ou São Paulo, que foram chegando à área de Cambará, entre 1904 e
1908. Rapidamente, a faixa entre Cambará e o Rio Tibagi - uma
linha que representaria o futuro percurso da ferrovia São Paulo-Paraná -
foi tomada por grandes propriedades cujos donos, via de regra, as
subdividiram em pequenas parcelas vendidas como lotes urbanos ou rurais.
O empreendimento fracassou, devido aos preços baixos e à falta de sementes sadias no mercado, obrigando a uma mudança nos planos. Foi criada, assim, em Londres, a Paraná Plantations e sua subsidiária brasileira, a Companhia de Terras Norte do Paraná, que transformaria as propriedades do empreendimento frustrado em projeto imobiliários. Na verdade, era uma tentativa de ressarcir o grupo inglês do prejuízo do projeto anterior. Já de
início, a Companhia concedeu todos os títulos de propriedade da terra,
medida inusitada para as condições da região e mesmo do Brasil. Por
isso, os conflitos entre colonos antigos e os recém-chegados
praticamente não existiram na zona colonizada pelos ingleses. Porém, a grande novidade introduzida pela Companhia e que lhe valeria o "slogan" de "a mais notável obra da colonização que o Brasil já viu" foi a repartição dos terrenos em lotes relativamente pequenos. Os ingleses promoveram, desta forma, uma verdadeira reforma agrária, sem intervenção do Estado, no Norte do Paraná, oferecendo aos trabalhadores sem posses a oportunidade de adquirirem os pequenos lotes, já que as modalidades de pagamento eram adequadas às condições de cada comprador. A Companhia explicitaria a sua política: "Favorecer e dar apoio aos pequenos fazendeiros, sem por isso deixar de levar em consideração aqueles que dispunham de maiores recursos". Este sistema estimulou muito a concentração da produção - principalmente cafeeira -, a explosão demográfica, a expansão de núcleos urbanos e o aparecimento de classes médias rurais. O
projeto de colonização, além disto, trouxe outras inovações, como a
propaganda em larga escala, transporte gratuito para os colonos, posse
das terras em quatro anos, alguma assistência técnica e financeira,
levantamento de toda a área e até o mapeamento do solo em algumas zonas. A
criação do Município ocorreu cinco anos mais tarde, através de Decreto
Estadual assinado pelo interventor Manoel Ribas, em 3 de dezembro de
1934. |
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FONTE DE PESQUISA :-
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